Estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Beberibe, localizada no Recife, subiram ao palco do Teatro de Santa Isabel, nesta quinta-feira (23), para apresentar o espetáculo Percurso Ancestral. A apresentação é fruto do trabalho desenvolvido pelo grupo de dança Fulôres de Palco e reuniu elementos de dança, teatro, música e performance, em um momento marcado pela valorização da identidade cultural e do protagonismo juvenil.

“É mais um ano e mais uma linda apresentação preparada pelo grupo Fulôres de Palco, fruto de um trabalho construído com muito compromisso e sensibilidade no chão da escola. Ver nossos estudantes ocupando um palco tão simbólico, expressando suas identidades e dialogando com temas tão importantes nos enche de orgulho. É a prova de que a educação pública transforma vidas também por meio da arte”, afirmou o gestor da escola, Luciano Machado.

Construído ao longo de 2025 e 2026, o espetáculo tem como base as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tratam do ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. A proposta pedagógica integra arte e educação, promovendo a pesquisa e o fortalecimento da cidadania entre os estudantes por meio de vivências artísticas que dialogam com temas sociais e históricos.

Entre os integrantes do grupo estava o estudante Humberto André, do 3º ano do ensino médio, que destacou a emoção de participar da apresentação. “Ainda em êxtase com tudo o que vivemos. Fazer parte do Fulôres e receber a missão de um papel tão significativo foi uma responsabilidade que assumi com todo o meu conhecimento. Pisar no palco do Santa Isabel não foi apenas um sonho realizado, mas  um marco na minha trajetória artística. Gratidão eterna pela confiança e parceria. Como aprendi e levo para a vida: seremos sempre protagonistas de tudo o que nos propormos a realizar”, completou.


Dividida em três atos, a apresentação percorreu diferentes dimensões da ancestralidade. O primeiro ato abordou a força dos povos indígenas e sua relação com a natureza, destacando a luta pelo direito à terra. O segundo trouxe a resistência e a coragem de homens e mulheres negros na busca pela liberdade, guiados pela ancestralidade afro-brasileira. Já o terceiro ato apresentou a riqueza da cultura popular, evidenciando os brinquedos culturais como forma de expressão artística e de luta por justiça social.

Como parte do processo de construção do espetáculo, os estudantes realizaram atividades de pesquisa de campo no território do povo Xukuru do Ororubá, no município de Pesqueira, ampliando o olhar sobre a diversidade cultural pernambucana. A experiência contribuiu para aprofundar o conhecimento sobre as tradições indígenas e reforçar a importância da educação antirracista no ambiente escolar.

Com direção geral e artística das professoras Ediane Ramos e Lilian Pinto, o espetáculo envolveu dezenas de estudantes em diferentes funções, desde a atuação no palco até a produção, cenografia e mídias digitais. A apresentação no Teatro de Santa Isabel reafirma o papel da escola pública como espaço de criação, expressão e transformação social, onde a arte se consolida como ferramenta fundamental no processo de ensino e aprendizagem.